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Num primeiro momento, todos nós, que passamos anos e anos tentando aprender a usar de forma correta nossa gramática pátria, nos sentimos escandalizados com o uso da designação de presidenta e não a presidente como aprendemos em tempos passados. Mas, analisando as diversas vertentes sobre a língua portuguesa, começamos a nos perguntar o porquê de acharmos estranha esta colocação e concluímos que o hábito nos faz resistentes a esta mudança na lexicografia.
Não existe uniformidade nos registros dos dicionários sobre o uso da palavra presidenta. Alguns não registram qualquer indicação de uso, outros a indicam como fazendo parte de linguagem coloquial ou familiar, outras como de uso informal ou mesmo popular.
Sabemos porem, que em qualquer caso, seu uso é desaconselhável quando se pretenda realizar um discurso irrepreensível, mas ainda assim, até mesmo ai não há consenso entre os lingüísticos.
Nos perguntamos: o que leva a tanta estranheza, na utilização da designação presidenta? Acreditamos após algumas pesquisas, ter encontrado resposta satisfatória. Por muitas décadas ou mesmo séculos, nos habituamos a ter apenas o sexo masculino assumindo os cargos de comando e a utilização dos substantivos e adjetivos uniformes se tornaram sedimentados na nossa cultura, criando um estado de estranheza quando sua utilização foi alterada com a eleição da primeira mulher para o cargo máximo de nosso país, a presidenta Dilma que faz questão absoluta de assim ser designada.
Voltando no tempo, observamos que ainda em 1913, Cândido de Figueiredo procedeu ao registro deste vocábulo como neologismo e abonou o seu verbete como referência à obra de Antonio Castilho (1872) As Sabichonas.
Por mais que a sonoridade da palavra nos fira o sentido auditivo, não a podemos considerar errada ou usada de forma inapropriada. Como a grande maioria das questões lingüísticas, as discussões não se exaurem aqui e dependem de uma infinita variação de ordem social e cultural ou mesmo política.
Daí porquê não se há que falar em assassinato da língua portuguesa com o uso do verbete presidenta. Antes disso, temos que nos atualizar com a feminização dele, advinda do fato de uma nova realidade, o acesso das mulheres aos cargos por tanto tempo abocanhados pelos homens. |
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