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A máquina governamental me traiu, cheguei aos 70 anos de idade, após servir ao governo estadual da Bahia por fechados 49 anos de muito trabalho, aprendizado, coleguismo e vestindo a camisa da Secretaria da Fazenda, minha casa por tantos anos, quase cinco décadas, e agora, setentão, me sentindo um menino, cheio de força e vontade de prosseguir, vejo-me obrigado a pendurar as chuteiras e me recolher ao estado de aposentado. Quisera poder continuar a realizar minhas tarefas fiscalizadoras, contribuindo um pouco mais para a arrecadação estadual e por conseqüência, para o desenvolvimento do meu Estado. Mas, regras são regras, tenho que abandonar o campo de batalha e me entrincheirar numa outra estação da vida, porém nada de chinelo e pijama. Como já disse, sinto-me um garoto, cheio de vida, vitalidade e experiências para compartilhar.
O comandante da máquina não pensa, não percebe, que empurrando para a aposentadoria quem ainda tem muito a fazer, está de uma certa maneira, encurtando a vida de muitos, tolhendo seu intelecto, privando-o da convivência com sua segunda família. Fala-se tanto em previdência falida e não se cria mecanismo para avaliar a condição de cada funcionário ativo, a idade vira empecilho, quando em verdade, deveria servir de estímulo aos muitos jovens que não possuem a vitalidade, o gosto pelos afazeres, pelo trabalho fiscal, pela hierarquia, enfim pelo serviço público, hoje apenas sinônimo de segurança.
O tempo passou, rápido, célere demais, quase não dei pelas décadas em que me dediquei à realização de minhas funções. Durante este tempo, passamos por muitas mudanças administrativas, governamentais e até mesmo tecnológicas. Quando imaginaria, lá pela década de 60, que um dia iria fiscalizar apenas acessando um programa de computador? Que existiriam computadores no serviço público? Que a ditadura não mais existiria e que poderíamos expor sem medos nossas opiniões? Foram tempos de mudanças e certamente, mudanças para melhor.
Hoje, um dia após completar a idade da chamada “expulsória” no serviço publico, aposentado recém-nascido, olho par ao futuro e me pergunto o que farei do meu tempo, mas voltando os olhos para minha família, agradeço a Deus pelo tempo que terei para educar, criar e orientar meus caçulas, ainda crianças, despontando para a adolescência.
Não entendam o aqui escrito como revolta ou algo parecido e sim, como um depoimento de alguém que quer continuar a servir, viver e crescer, além de um alerta para os muitos futuros aposentados.
Estas bem que poderiam ser as palavras do fazendário Wellington Castellucci, que ontem, dia 08 de agosto, completou setenta anos de idade, dos quais 49 servindo à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, contudo, não são dele os pensamentos e palavras, são minhas, traduzindo um sentimento que se alastra por todos nós, ao pensarmos que a qualquer hora, de forma abruptamente, vamos sair da ativa para cuidar sabe-se lá de que. |
Comentários
Meu pai também saiu na compulsória e 10 anos depois vive ativo e cheio de saúde.Exercício, namoro e cuca fresca...
Você foi e sempre será o grande colega, o amigo te todas as horas. Tive o prazer de trabalhar contigo numa equipe de trabalho, onde passamos por bons e alguns momentos conflituosos com sonegadores do erário público, mas,sempre conseguimos lograr exito na tarefa que nos foi confiada pelo estado.
Parabens, e que esta nova estapa de sua vida seja vivida com toda intensidade.
Um grande abraço amigo.
Grande Abraço
João Leite
Saudações Flamenguistas!! !
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