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Muitos devem ter visto na TV, no início dessa semana, reportagens sobre a reintegração de posse do terreno que engloba o bairro de Pinheirinho em São José dos Campos, SP. O noticiado é que o governo do estado de São Paulo, junto com a prefeitura de São José dos Campos, retiraram do terreno pessoas que ali haviam invadido para morar, há 8 anos atrás.
Imagine então: 6 horas da manhã de um domingo, você acorda atordoado e assustado com barulho de tiros e bombas explodindo. Quando levanta pra ver o que está acontecendo, percebe que a polícia está invadindo sua casa e que você deve abandoná-la para sempre e imediatamente.
Seria uma reintegração de posse normal, não fossem alguns detalhes. Antes de tudo, vamos lembrar quem é o dono do terreno: o empresáio Naji Nahas, responsável por crimes financeiros que levaram à quebra da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro em 1989, que até hoje não se recuperou, além de ter sido alvo das investigações da operação Satiagraha, sendo preso pela Polícia Federal e solto em pouco tempo. Ou seja, um criminoso.
E o terreno? O que dizer do terreno? Ele faz parte da massa falida da Selecta, empresa de Naji Nahas, que, inclusive, deve aproximadamente R$ 15 milhões de reais à própria prefeitura de São José dos Campos. É estranho, não? A prefeitura ajudar seu devedor para recuperar seu terreno.
Moravam lá mais de 6.000 pessoas. O governo, tanto estadual quando municipal, dizem que a desocupação foi tranquila, sem feridos e sem nenhum tipo de problema. Não é o que dá pra perceber no vídeo do link abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=7eNF0HZE0Zk&feature=related
O vídeo explica muita coisa. O que de fato aconteceu, que a grande mídia não mostra, e o porque dessa desocupação ter sido tão fácil para Naji Nahas.
Bem, pelo que eu saiba, o Estado (isso engloba governos municipal, estadual e federal) tem como interesse a defesa do público e não do privado. O que quero dizer: os interesses do povo (público) devem vir antes dos interesses particulares de alguem ou de alguma empresa (privado). Claro que pela lei, o dono de um terreno tem direito à sua reintegração, mas o caso aqui é que nesse terreno, moravam 6.000 pessoas, e seu dono possui um débito, relacionado a esse terreno, imenso com a prefeitura além de ser um criminoso.
O mínimo que o governo municipal e estadual deveriam fazer era providenciar um local de qualidade no mínimo igual para as famílias que seriam despejadas. Ao invés de construir casas populares, o governo de São José dos Campos e de São Paulo (ambos PSDB) preferem colocar famílias nas ruas. Bem, depois não poderão reclamar se os filhos desalojados do Pinheirinho acabarem indo formar uma nova cracolândia na cidade.
E o governador Geraldo Alckimin ainda tem a coragem de dizer em público que a operação foi bem sucedida. Pra Naji Nahas, é claro! |
Comentários
Não estou defendendo a invasão de terras, mas estou defendendo o direto de moradia das pessoas. No caso de Pinheirinho, a prefeitura de São José dos Campos (e também o estado de São Paulo) acabam de criar um novo problema: ganharam mais 6.000 desabrigados. Muitos se tornarão moradores de rua e os defensores do privado, como você, se queixarão desses descamisados andando pela sua linda cidade, estragando o cartão postal, fumando crack nas esquinas...
Não seria dever do Estado construir casas populares ao invés de destruir as casas dos eleitores?
Excelente artigo.
Um abraço
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