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Aracaju, capital brasileira da qualidade de vida. Muitas vezes eu paro para pensar se nossa cidade realmente merece o título que ostenta. Ainda ontem, em um noticiário local, foram mostrados alguns dos problemas de uma comunidade da periferia da capital. Falta de saneamento básico, esgoto a céu aberto, ruas sem calçamento, terrenos que não recebem nenhum tipo de limpeza da prefeitura, de maneira que o mato fica na altura das pessoas, ruas que não permitem nem a entrada de uma ambulância para socorro médico das pessoas.
Semana passada e na antepassada, o mesmo noticiário local veiculou a problemática de uma outra comunidade da capital que vive em péssimas condições de vida. São esgotos a céu aberto, não há saneamento básico, as pequenas lagoas que se formam nas ruas estão cheias de caramujos. Segundo uma pesquisa feita por um professor sobre a comunidade, pelo menos 42% das pessoas, crianças ou não, estão contaminadas por algum tipo de verme ou verminose.
A capital sergipana tem hoje a taxa de morte por homicídio de 40,8 em cada cem mil habitantes, ocupando o quarto lugar no estado e a posição nacional de 254º. A população do estado sofre com o efetivo policial, que se encontra debilitado, contando com poucos policiais que trabalham em delegacias alocadas em antigos bares, ou em prédios aos pedaços. Hoje em Sergipe, nem todos os municípios contam com um delegado cada, em vários deles, os delegados trabalham sobre regime de revezamento, um dia estão em um município, no outro dia estão em outro.
São hospitais que não tem médicos para atender a população, outros não tem aparelhos para realizar os exames básicos. Só nesta semana duas maternidades tiveram seu efetivo de obstetras reduzido devido aos baixos salários pagos, e as grávidas que necessitam delas, acabam tendo seus filhos em hospitais lotados, quando não são maltratadas durante o parto como uma adolescente denunciou há alguns dias. Há cinquenta e um dias as crianças matriculadas na rede pública municipal de ensino estão sem aulas, veja bem, há quase dois meses.
A conclusão a qual muitos sergipanos chegam é a de que, se Aracaju, com todos os problemas que conta atualmente, é a capital da qualidade de vida, imagine você em que condições as outras cidades estão.
Não existe uma solução que consiga resolver todos os problemas existentes no nosso estado e na capital, mas existem medidas que se fossem adotadas resolveriam um a um deles. Enquanto médicos, professores, policiais e diversos outros funcionários públicos reclamam de baixos salários pagos pelo estado ou município, e estes alegam falta de verba para aumentá-los, deputados e vereadores recebem valores altíssimos em suas contas no fim do mês. Ora, vamos pensar em reduzir o salário absurdo destes e valorizar as outras categorias lhes proporcionando melhores salários, condições de trabalho e melhorando consequentemente a educação, a saúde e a segurança. Profissionais satisfeitos trabalham melhor.
A prefeitura alega não ter verba para realizar as obras de saneamento básico das comunidades citadas acima, mas para fazer festa com bandas nacionais que cobram cachês absurdos a prefeitura e o estado tem. Ora, então vamos então contratar artistas da terra valorizando nossa cultura e usando o dinheiro que seria investido em bandas nacionais para calçar as ruas, realizar as obras de saneamento e investir quem sabe em hospitais, ou até mesmo na tão prometida reforma dos colégios do estado, que nunca sai.
Falta bom senso e responsabilidade aos governantes para enfim ouvirem as queixas da população que deixam claro aonde precisa ser investido a verba do estado. Informação não falta, a imprensa está mostrando todos os dias os setores defasados, só não vê quem não quer. Soluções não são impossíveis de serem encontradas, basta querer achá-las, e sinceramente, ao que parece, esse é um desejo que infelizmente não é de todos. |
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