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O Big Brother a serviço da treva cultural PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Alberto Peixoto   
Qui, 26 de Janeiro de 2012 17:34

Aqueles que escrevem estão sempre expostos à crítica, seja ela construtiva ou não. Meu ultimo texto foi sobre o Reality Show da Rede Globo o Big Brother BrassilO BBB e o QI do brasileiro – que foi publicado em jornais e diversos sites do Estado da Bahia gerou muitos comentários, para minha satisfação, inteligentes, com conteúdos muito significativos, mas, por outro lado, tivemos – eu e o leitor – que sentir um pouco do gosto amargo da ignorância de alguns brasileiros ou, como diz Mino Carta em um dos seus editoriais para a revista Carta Capital, das trevas culturais de quem estacionou na Idade Média.

MaosPor outro lado, também podemos analisar o nível de quem assiste a este programa pelo conteúdo ínfimo dos seus comentários, escritos de forma grosseira, sem nenhum tipo de concordância, sempre dizendo sobre o autor do artigo aquilo que na realidade são características deles. Não é de se estranhar que estes sejam os telespectadores deste tipo de programa.

Segundo Mino Carta, em um de seus muitos editoriais: “Quanto ao Big Brother, é de fonte excelente a informação de que a produção queria um “negro bem-sucedido”, crítico das cotas previstas pelas políticas de ação afirmativa contra o racismo. Submetido no ar a uma veloz sabatina no dia da estréia, Daniel Echaniz, o negro desejado, declarou-se contrário às cotas e ganhou as palmas febris dos parceiros brancos e do âncora Pedro Bial . [...]E não é que este Daniel, talvez negro da alma branca, é expulso do programa do nosso inefável Bial? Por não ter cumprido algum procedimento-padrão, como a emissora comunica, de fato acusado de estuprar supostamente uma colega de aventura global, como a concorrência divulga”.

Vejamos também o comentário abalizado de Luiz Fernando Veríssimo:

“O olhar de Veríssimo sobre o BBB...

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo e valores morais, com tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... Todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, comentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade do brasileiro.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados. Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.

CoringaO Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais.

Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão ...

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade”.

Esta crônica está sendo divulgada pela internet a milhões de e-mails. Somos responsáveis por aquilo que fazemos, o que não fazemos e o que impedimos de ser feito.

Pelo que podemos observar, as trevas estão avançando de forma rápida e célere sobre o bom gosto, o saber e o discernimento do povo brasileiro. Que os meios de comunicação há muito deixaram de ser um meio de expandir cultura e educação para se transformar numa caixa de massificação dos piores sentimentos que existem no fundo do poço de alguns seres ditos humanos. Continuo, bem como muitos brasileiros, a desejar poder chegar em casa e assistir bons programas, onde a cultura, a alegria e a informação sejam claras e limpas.

 

Comentários  

 
0 #6 Irdanny Souza 17-02-2012 01:01
De fato, é nítida a preocupação com a cultura e educação do nosso país. Acredito que tal indignação esteja contida em outros vários brasileiros. Hoje foi debatido esse assunto "polêmico" no meu curso (Adm de Empresas) e houveram muitas controvérsias, como era de se esperar. Paramos para analisar o really em si, e esse show de exibição humana está no ar há doze anos, sempre uma edição nova, personagens novos, cenários atualizados, conforto, mas no GERAL a dinâmica é a mesma: Exibir as formas de mulheres conceituadament e belas, e homens no mesmo porte; dismistificar a ideia de preconceito pondo um homosexual dentro da casa; quebrar o racismo tendo um negro como participante. Entretanto, acredito o BBB tenha sistemas táticos, estratégicos, afinal o atrativo não deixa de ser um JOGO e como jogo insentiva as habilidades, conhecimentos e percepção dos participantes, cabe aos telespectadores avaliarem de forma crítica tal situação.

Att.
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0 #5 Walquiria Maia 30-01-2012 11:05
Adorei a matéria sobre o BBB, tenho a mesma opinião.

Abraços,
Walquiria.
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0 #4 Ray Luiz 27-01-2012 20:13
Isso mesmo, valeu!!!
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0 #3 NEFERTITI SAMPAIO FE 27-01-2012 07:53
Não assisto
não vou perder meu precioso tempo
assistindo uma barbaridade dessas
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0 #2 Mônica 27-01-2012 07:25
Mais uma vez PARABENS pelo artigo, foi muito bem escrito e digno de ser lido e refletido. Concordo c/ cada ponto e vírgula.
Um forte abraço
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+3 #1 Francisco Azevedo A. 26-01-2012 20:27
Parabéns pelo ótimo texto. Incisivo, crítico e que mostra a preocupação de dois brasileiros, os quais se revelam acima de tudo cidadãos, com a questão cultural de nosso povo. Gostaria de ressaltar, embora saiba que não seja este o enfoque do texto apresentado, que precisamos cobrar não só às nossas centrais de telecomunicaçõe s programas de alto índice cultural, uma vez que muitas vezes elas se subjugam a tais tipos de programas por serem a elas os mais lucrativos e fundamentais para sua existência, já que a maioria, ou melhor, uma grande parcela da população se sujeita a isso, mas devemos cobrar sobretudo nossas autoridades que não investem o suficiente em educação, pois é consagrado que um povo com elevada educação é também um povo consciente de suas e de outras culturas. Isso fica claro ao notarmos que emissoras de menor porte como a Cultura e a Futura estão sempre atrás nos índices de audiência. Ou seja, o povo não tem interesse pela cultura, um problema de bases educacionais.
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